Reservando o Experimentar: Você Deixa seu Filho Crescer?

Soraia Chung Saura

Em primeiro lugar, devemos levar em conta que informação não é experiência. Experiência “é o que nos toca, o que nos acontece”. Experiência seria, assim, aquilo que vivenciamos com profundidade, com o corpo, com a mente e com a alma, aquilo que nos deixará um legado para reflexões e aprendizados posteriores.

Falta de tempo, excesso de atividades, excesso de informação, excesso de opinião: tudo contribui para que não vivenciemos as situações de fato, para que não tenhamos, ao longo do dia, alguma experiência significativa, transformadora. Podemos passar dias, semanas até, sem vivenciá-las.

Com certeza, não é isso que desejamos para nossas crianças. Elas, ao contrário de muitos adultos, possuem a disponibilidade e abertura para viver uma grande variedade de experiências. Elas demonstram isso, demandam isso de maneira ampla.

E quantas vezes não privamos as crianças de experiências porque estamos ocupados, com pressa, porque consideramos que o que ela vive não tem importância? É uma cena cotidiana comum: a criança está entretida, bem concentrada em algo e nós adultos a “resgatamos” de seu devaneio profundo. As crianças vivem, como nós, com cada vez menos tempo, atrasadas para suas diversas atividades, essas também que muitas vezes não permitem que vivenciem de maneira profunda o que estão dispostas a “ensinar”, melhor dizendo, “informar”.

Estamos sempre nos antecipando ao aprendizado infantil .

Sabemos, porque somos adultos, o que elas precisam fazer para que se formem. Sabemos de seu conforto, de suas necessidades, de suas questões. Deixamos que elas vivenciem a alegria, mas nunca o desconforto, a tristeza, a dor, protegemos as crianças dos males da humanidade, que afinal, deveriam mesmo ter ficados guardados na caixa de Pandora.

Foi a caixa de Pandora que tirou o homem da ‘idade do ouro’ onde tudo era alegria, fartura e abundância. Tal e qual deuses do Olimpo, escolhemos o que nossas crianças devem ou não viver. E embora as dores, tristezas, arranhões e sofrimentos façam parte da vida humana, as crianças são poupadas.

Assim é que realizamos uma ginástica enorme: nos antecipamos ao tombo, limpamos seus narizes, não deixamos que sintam frio, fome e nenhum tipo de desconforto. Não é de se estranhar que tornem-se adultos intolerantes à dor, à frustração, incapazes de serem criativos na solução de problemas e de aceitarem que a vida é também feita de dificuldades e sofrimento. Alguns adultos parecem nunca perceber que as alegrias e felicidades são conquistadas com muito esforço.

Tempo e espaço para a experiência – seja ela boa ou ruim. Como pais e educadores, estaremos ali para consolar, confortar, oferecer suporte e celebrar as alegrias e conquistas diárias das crianças. Mas não para impedir que vivam, por elas mesmas, suas próprias experiências.

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